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Updated: Apr 12, 2021

Nos últimos dias assistimos discussões acaloradas nas redes sociais sobre os novos formatos para programas de trainee; e dentro de um espaço de fala que também é nosso – já que fomos trainees e hoje, muitas vezes, selecionamos pessoas para essas posições - decidimos elaborar esta carta aberta para reconhecer a trajetória que nos levou a ocupar este espaço e para solidarizar com as mudanças que surgem referentes a este assunto.

Voltando no tempo, há 6 anos atrás iniciávamos nossa jornada, de dois anos, num dos maiores programas de Trainee de uma das mais importantes multinacionais brasileiras. Um momento de muito orgulho e alegria, desde a resposta com a esperada aprovação até cada atividade de desenvolvimento, de reconhecimento por conquistas nos desafios propostos e de exposição a grandes executivos dentro da organização. Na mesma proporção que reconhecemos nosso mérito e esforço ao sermos selecionados neste programa tão concorrido, também reconhecemos que começamos essa corrida muito a frente da grande maioria. Através de muitas desconstruções ao longo destes anos, sabemos que nunca disputamos as vagas com 45.000 candidatos, mas sim com um percentual muito menor deste grupo.

Olhamos para as fotos do passado e ficamos incrédulos com a falta de diversidade entre os aprovados no nosso grupo. Fomos muitos homens, algumas mulheres, poucos negros e quase nenhum PCD ou LGBTQ+. Somos conscientes dos inúmeros privilégios que nos colocaram a frente nesta disputa. Sabemos que apenas nós mesmos, dentro dos padrões que ocupamos, seríamos capazes de cumprir alguns requisitos básicos e de surpreender os recrutadores com alguns diferenciais. Sabemos também que nossos avaliadores se reconheceram na gente, que enxergaram seus próprios filhos, ou até eles mesmos quando estavam começando, e isso também foi uma vantagem competitiva.

Programas de trainee proporcionam experiências incríveis e são famosos por desenvolverem futuros líderes, pessoas que influenciam e são tomadoras de decisões nas esferas em que atuam. Gostaríamos muito que estes espaços e oportunidades fossem acessíveis a todos de verdade. Com a consciência que temos hoje, sabemos que este ciclo precisa ser quebrado, esperamos que os privilégios que nos trouxeram até aqui não sejam mais o ponto de corte daqui pra frente. Além de prestigiar os movimentos feitos por empresas como Magazine Luiza e Bayer, porque eles são sim necessários, nós também nos comprometemos a não depender unicamente deste tipo de iniciativa para trazer mais diversidade as nossas realidades. Gostaríamos de encorajar você, pessoa privilegiada e que entende a importância deste movimento a se comprometer também com isso.

Para finalizar esta carta, queremos convidar a todXs, que por muitos anos não puderam ter este tipo de oportunidade, que aceitassem o desafio de mudar o status quo. Se inscreva nos programas, eles são SIM para você! Não se intimide com quem diz o contrário, sempre vão encontrar argumentos para te desencorajar, não acredite neles! Embora nós não possamos falar de desigualdade, nós reconhecemos que ela é uma verdade e estamos dispostos a lutar contra ela da forma que nos é possível. Boa sorte durante o seu processo, se cuida com o COVID-19 e esperamos ver você conosco muito em breve.


Outubro 2020

Escrito por: Bruna Bartosiaki e Naouel Saadi Assinado por: Ana Reina, Bruno Naccari, Daniel Dottori, Felipe Cabanas, Fernando Cunha, Heitor Tosetto, Nathália Nunes, Nayara Montebello

 
 
 

Updated: Apr 12, 2021

Hoje é o último dia de Setembro e escolhi exatamente este dia para me manifestar sobre a importância de levar a sério o assunto saúde mental. Pra quem não sabe, o termo burn out vem do inglês e pode ser traduzido diretamente como esgotamento. Não tenho a menor propriedade clínica para falar sobre esse assunto, porém, quero trazer uma perspectiva que considero legítima de alguém que passou por essa experiência.


Na época que aconteceu comigo eu estava literalmente em velocidade máxima! Num cargo legal com iniciativas de destaque, MBA em curso, dando aulas, coaching e mentoria, especialização fora do país, muitas viagens... um monte de coisa e cada uma delas com os seus desafios, fora a vida pessoal. A primeira coisa que passa desapercebida, mas logo que acontece o esgotamento fica escancarada, é que velocidade alta queima muito combustível e quando ele acaba as consequências são bem sérias. É quase como pensar numa pane durante um voo que obriga um pouso de emergência! Assustador né? Não recomendo a ninguém. Por isso resolvi compartilhar um pouco dos aprendizados dessa experiência aterrorizante, mas que também me propiciou muita transformação, autoconhecimento e aprendizado. Vamos lá?

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1) O seu corpo vai te avisar!

Diariamente seu corpo manda sinais sobre o que não está bem e estes sinais vão ficando cada vez mais fortes á medida que você os ignora. Até que um dia o corpo cansa de te avisar e faz reset do sistema por você: burn out... vamos ver se agora você entende! Preste atenção em você, note quais são as situações, pessoas e lugares que te fazem roer as unhas, ter noites mal dormidas ou dores de cabeça. Não espere para chegar no limite, porque ninguém sabe o seu limite até que chegue nele.


2) Identificou seus motivos de estresse? Agora trate!

A mágica aqui é reconhecer que você não é um ser iluminado como Buda ou um super homem, logo, você sim vai se estressar com as coisas! Sendo assim, você vai precisar aprender a lidar com elas da maneira menos danosa possível para você e para os outros. Nem todos os estresses são iguais e não existe fórmula única, vão ter coisas que você vai trabalhar até passar ileso e ter outras que batem muito forte, logo vai ter que evitá-las. Lembre-se que você tem o sensor de fábrica descrito no passo 1, que é o seu corpo e os sinais que ele manda são certeiros.


3) Se respeite!

Pelo menos comigo, existiu um movimento muito grande que começou na caça as bruxas para “encontrar os culpados” (chefes, colegas de trabalho, professores, etc) até um processo de desconstrução e auto responsabilização pelo que aconteceu. A conclusão que cheguei é que eu mesma me coloquei nas situações que me levaram a ter um burn out, eu permiti relações abusivas, permiti queimar todo o gás que tinha, não me escutei e sempre tentei contornar. No momento que você se escuta e entende, o último passo é se respeitar. Delimite os limites até onde as pessoas ou situações podem avançar sem ferir você e vá educando todos a sua volta para que não rompam estas fronteiras.


Por último, não como um aprendizado, quero compartilhar o que passar por um burn out significa de fato, já que o assunto é quase um dogma e as pessoas ainda evitam falar sobre as suas experiências, quando aconteceu comigo, não tinha a menor referência e foi muito assustador. No dia que aconteceu comigo, fiquei muito mais ansiosa que o normal, não conseguia relaxar de forma alguma. Em determinado momento eu desmaiei e acreditei que tinha morrido. Fiquei com muito medo, um estado de pânico com a ideia de ficar inconsciente e isso desencadeou um pensamento compulsivo no assunto, além de medo de dormir. Foram muitos dias sem conseguir ficar sozinha por muito tempo ou com muitas pessoas, sem andar de elevador ou de metro. Qualquer circunstância que pudesse me por em "estado de alerta” mental foi descartada, o que incluía filmes e músicas agitadas e obviamente o trabalho e aulas.


O processo de recuperação incluiu os três passos que descrevi acima, além de muita paciência e ajuda. Não só eu fui impactada com a situação, todos a minha volta foram e todos contribuíram para o meu retorno. Embora o burn out seja aterrorizante, no final a experiência me transformou numa pessoa muito melhor. Hoje sou muito mais resiliente e consciente das coisas, reajo melhor a diversas adversidades, tenho meus limites bem delimitados e procuro entender os dos outros também. Dito isso, tenho um aprendizado final:


4) Não espere ter um burn out para mudar o que é necessário!

E aqui falo em “ter um burn out” para além de você mesmo exclusivamente. Fique atento às pessoas a sua volta. Cuide delas e as ensine a se cuidarem. Suporte-as para fazer as mudanças que precisam ser feitas. Não negligencie os sinais que cada um mostra. Ter sentimentos de insegurança ou ansiedade não é sinal de fraqueza ou menor capacidade. Isso acontece com mais pessoas que você pode imaginar. Saúde mental é um objetivo coletivo e, em maior ou menor grau, todos devem buscar por isso, a diferença é que fica muito mais simples quando se tem apoio.


 
 
 

Updated: Apr 12, 2021


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Poucas vezes (talvez nunca) eu imaginei estar presente no mesmo local e ouvir um pouco da perspectiva de alguém tão ilustre quanto o 44º Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama. Eu tive essa oportunidade hoje (30/05/2019) no Vtex Day aqui em São Paulo.


Foi uma lição de humildade, liderança e consciência, principalmente autoconsciência. Não pretendo escrever sobre ele aqui, mas sim sobre as impressões e impacto que teve a sua presença e o que ele disse.


Já no início da conversa ele fala de erro: "I failed a lot and I survived" (eu falhei muito e eu sobrevivi). A grandeza de ouvir algo positivo de um dos maiores líderes da atualidade sobre erro, é algo extremamente impactante. O cara foi presidente da maior potência do mundo e não se intimida em expor toda a sua vulnerabilidade. Inclusive, vulnerabilidade foi a maior virtude dele durante a palestra. Ele seguiu com ela ao longo das próximas perguntas, falando sobre como tem "blank spots" (espaços em branco) na sua percepção e que por isso precisa de outras pessoas, diferentes dele, para ajudá-lo a tomar as decisões e compor os cenários. Completou dizendo: "por isso sempre tenho mulheres nas mesas de discussão comigo". Falou da importância da diversidade! Falou que parte do êxito do seu país se deve às pessoas que vêm de fora e chegam até lá, diferentes. Por ele ser vulnerável, entende seus "gaps", acolhe nos outros as qualidades que lhe faltam e usa as diferenças a seu favor. Este não é um discurso vazio!


Logo mais, ele fala de oportunidades e de o quanto nós perdemos como sociedade por não as dar a todos. "Eu era igual a qualquer menino de 10 anos na favela com a essa idade, a diferença que me fez ser presidente, foi ter tido acesso à educação de excelência". Uma frase perfeitamente colocada no momento político e histórico que vivemos no Brasil hoje, onde alguém de fora, entende muito bem o que estamos passando e que, com toda a sutileza do mundo, deixa seu recado para quem quiser escutar. Quase no final do evento diz que sente orgulho de si e lembra que passou por 8 anos sem qualquer sugestão a ser preso. Difamou a corrupção, alegando que qualquer bem a mais que você venha a adquirir além daqueles que lhe permitam ter uma moradia, segurança, educação e saúde para seus filhos e momentos de lazer, não vão lhe trazer mais felicidade... felicidade não é sobre isso!


E para terminar o que mais me impactou, foi entender o que é liderança para ele. Um líder não precisa saber todas as respostas, como muitas pessoas acreditam ser, ele precisa ser aquele que sabe fazer as perguntas certas. Neste contexto, não há a necessidade de temer saber menos que alguém do seu time. Mais uma vez ele se mostra vulnerável. Nem sempre se é possível garantir tomar a decisão correta como líder, mas o que pode ser garantido é explorar todas as opções possíveis com as informações que se têm para que a melhor decisão possível seja seguida.


Depois de todos estes ensinamentos (e muitos outros, na verdade, pois aqui estou trazendo a minha perspectiva do que foi falado), fica fácil entender todo o magnetismo e carisma que envolve a figura do Obama. Ele fecha: "Continuem otimistas". Eu confesso que depois de hoje... eu fiquei mais otimista! Existe alguém assim que chegou ao poder! Para quantos mais nós precisamos abrir o caminho para gerar mudança?

Originalmente em 30 de Março de 2019.

 
 
 
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